Desassossego
  • 01Havemos de lá chegarletra
  • 02Estás à espera de quêletra
  • 03O Fimletra
  • 04Finalmente prontosletra
  • 05Isto do amorletra
  • 06Reincidentesletra
  • 07Felizes e contentesletra
  • 08Posso fugir mas não me posso esconderletra
  • 09Fora do vulgarletra
  • 10A idade da inocêncialetra
E começamos de novo
Temos muito a fazer
Não perdi o juízo, podes ver para crer
Chega bem mais perto
Abraça-me devagar
Diz-me tudo o que pensas
Vamos recomeçar

Ainda naquele dia, por acaso pensei
Nas palavras que dizes
Que sabem sempre tão bem
Fico mais desperto
Ao que tenho para ver
O coração aguenta
Não tenho como ceder

E começamos de novo
Havemos de lá chegar
Faz parte do jogo, ter a força pra mudar
Havemos de lá chegar
E começamos de novo
Havemos de lá chegar
Gosto desse teu jeito
Desse teu modo de estar
Parece tudo perfeito
Quando te ouço falar
Tens essa pose elegante
Que faz um homem querer
O teu riso contagiante
Não temos tempo a perder

E quando me vires passar
Vem à janela e sorri
Levanto os braços ao ar
Pra que te lembres de mim
Sou um homem que luta
E consegue parar
Sem medalhas ao peito

Mas com tanto pra dar
E começamos de novo
Havemos de lá chegar
Faz parte do jogo, ter a força pra mudar

E começamos de novo
Havemos de lá chegar
Este céu é o limite
E os rios correm para o mar
Havemos de lá chegar!

Estás à espera de quê?
Fiz-te este convite
Estou de braços abertos
Para poderes entrar

Não perguntes porquê
Porque é que estive à espera?
Acordei mais cedo
Quis ver o dia chegar

Hoje sonhei que via o mundo
Virado do avesso
Tudo ao contrário, nem queria acordar
Houve alguém que o pintou
Com todas as cores
Até parecia, tão natural.

Quero o contrário, sigo em frente
Sigo os meus sonhos
Tão cheios de gente
Não fico à espera, de quem já não vem
Há quem me queira, como te quero
Tu sabes bem

Estás com medo de quê?
Que te faça perguntas
E te peça as respostas
Que tu não me queres dar

Fica perto de mim
Estou apenas cansado
Fico bem a teu lado, quero ver-te sorrir

Agora sei
Que o tempo já não pede pressa
Que as nuvens ficam entre o céu e o mar
Já só me resta, a minha consciência
Porque este é o meu lugar
O copo tem veneno, dás de beber à dor
Ainda és das loucas, que vivem por amor
Tens a alma pesada, de quem tudo bebeu
Pareces tão cansada, como se tu fosses eu

Eu quero paz
Diz-me que sim, se fores capaz
Não é o fim, não é o fim

Quero chegar mais perto, estar junto de ti
Conhecer os segredos,
Que guardas para mim
Tens os olhos fechados
Tens medo de acordar
Vens de um sonho desfeito
Sem nada pra contar

Eu quero paz
Diz-me que sim, se fores capaz
Não é o fim, não é o fim

Diz-me o que queres
Diz-me o que lá vem
Serei tudo o que disseres
Pra ficarmos bem!
Para sempre juntos, finalmente prontos
Vamos vaguear
Acendemos velas, abrimos a janela
Deixamos entrar o ar

Sabes tão bem que quero ser
Tenho-te aqui pra me adorar
Conheces os sítios onde vou
Espero que me venhas buscar

Não fomos à guerra
Passámos à reserva
Fizemos a nossa paz
Somos namorados
Um pouco envergonhados
Gostamos de cá andar

Se não estamos pra ninguém
Deixamos tudo acontecer
Diz-me no que estás a pensar
Deves ter tanto que dizer

Orgulhosamente, saímos pela frente
Temos a alma a arder
Contamos pelos dedos
Dormimos em segredo
Gosto tanto de te ter

Se tu quiseres serei alguém
Que contigo quer ficar
E amanhã de manhã cedo
Os deuses estão para chegar

Fica mais um pouco
Vivemos como loucos
Sentimos o corpo a quebrar
Já fizemos muito, envelhecemos juntos
E vamos continuar

O pêndulo do relógio, faz tremer o chão
Na parede um quadro, desenhado à mão
Guardo a fotografia, onde tu sorris
Uma muito antiga, pareces feliz

Fora da estante, está um livro teu
Tantas vezes lido, arde até ao fim

O sol já vai baixo, é o entardecer
Faz a paisagem calma, quer adormecer

Isto do amor, é um caso estranho
Sei bem o que dou
Não sei o que tenho
Quero-te provar, que nunca te minto
Quero-te mostrar, aquilo que sinto

Hoje foste embora, e algures por aí
Ainda me pergunto, se tu gostas de mim
Tenho o meu peito aberto, só tu o podes fechar
Há palavras que ferem, deixam-me a sangrar
Temos vidas diferentes
Cada um puxa para o seu lado
Olhamos um para o outro
Com algum desdém

Somos reincidentes
Andamos com o passo desencontrado
E pisamos a sombra
De quem nos quer bem

Quero muito encontrar-te
Dar-te a outra metade, e falar-te de nós
É preciso cuidado, isto não está a dar Vamos de mal a pior

Até parece inocente
Atirarmos a pedra ao charco
Mesmo que caia ao lado
Rimos do bem e do mal

Se os outros têm má sorte
Ficamos indiferentes
Sentimo-nos fortes,
Julgamos ser os maiores

Preciso falar-te, mostrar-te a outra face
E ver-te decidir
Então porque não vens
Deixarias levar-te
E deixamo-nos ir

Vieram dar-me a notícia de que tinhas chegado
Quero-te muito bem

Estás diferente, cada vez mais bonita
Vou dizê-lo a toda a gente, acredita!

Estivemos lado a lado
Fomos pessoas diferentes
Haja quem acredite
Estamos contentes

Estive mais perto, passei p’la tua rua
Fui fazer tempo, vi-te numa janela

Senti o cheiro, ainda mexes comigo
Quero ser o primeiro a dizer-te
Que todos os dias
És toda sorrisos, quando estamos juntos
Somos felizes

Hoje chego mais tarde a casa
Porque esta noite vou ficar a beber
Finalmente, dei-me conta
De que é preciso viver

Levar a vida, com toda a calma
Pensar naqueles que nos fazem sorrir
Deixar pra trás o que não me faz falta
Vou animar a malta, vou-me divertir

Talvez o filme ainda esteja a meio
Há muito para ver
Escolho o enredo, que julgo ser certo
Sigo em frente, não tenho nada a perder

A vida é tela branca à minha frente
Onde posso e quero pintar
As minhas cenas, todos os temas
Os meus dilemas, todos os olhares

Nem tanta dor, nem tanta festa
Estamos todos a representar
No fim de contas aos olhos dos outros
Posso fugir
Mas não me posso esconder
Demasiado racional para entender seja o que for
Demasiado emocional para lidar com o amor
Se as palavras simplificam o pressuposto complicado
Elas também abrem espaço para o monstro fechado que há em nós
O meu espelho não é feito de vidro trabalhado
Ele é feito de vocábulo, nem sempre cuidado
Não é bom guardar a raiva, convém deixa-la sair
Preparando o coração para aquilo que há-de vir.

Que Pai é este que está sentado na sala
Que Mãe é esta que te ama e não te abraça
Que irmã é essa que te inveja e se cala
Quem é o homem que te beija e agarra

Que mãos são estas que me tocam enquanto durmo
Que rua é esta onde me perco enquanto corro
Quem são os olhos que nos espreitam no escuro
Quem é o anjo que me salva quando morro

Se Deus os condenasse
Se a vida os levasse
E se a calúnia os matasse

Eu dou, tu dás, eu quero, tu és, eu sou

Quem são aqueles que estão deitados na estrada
Desesperados, que perderam a esperança
Onde estão os que foram enganados
Onde estão os que têm a bonança

Quem são aqueles que esbanjam o que roubaram
Aos que venceram e lutaram pelo povo
Quem são os outros que partiram e não voltaram
Esperam a vez para renascer de novo
Vives no teu quarto
Com os teus brinquedos
E nesse teu espaço
Escondes os segredos
Contas os piratas, espalhados no chão
Viajas em barcos, colados às mãos

Inventas batalhas com os teus soldados
Lutas nas muralhas, com fortes e fracos
Falas nos teus sonhos
Das tuas frustações
Libertas os medos, expulsas os papões

Quando cresceres, terás que aprender
E vais mostrar-me que sabes contar
Se tu souberes o que hás-de fazer
Pra me dizeres que sabes jogar

Quando correres vou ficar a ver
Mesmo que percas eu quero lá estar
E se quiseres tentar outra vez
Mesmo que venças o último lugar
És o número um

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