Identidade
Tenho memórias que não sei apagar
Tu tens histórias para contar
Dou-te momentos, quero os teus
Onde tu entras e rasgas os meus

Eu e tu, livres e sós
Este mundo, grita por nós

Tu és o norte, eu sou o sul
Todo este céu, tão cheio de luz
Fica mais forte se dizes não
Tens a palavra guardada na tua mão

Pedes-me tempo que finges não ter
Viajas no vento que bate e faz doer
Desenhas a estrada, piso o teu chão
Mostras a espada que fere o coração

Eu e tu, livres e sós
Este mundo, grita por nós

Tu és o norte, eu sou o sul
Todo este céu, tão cheio de luz
Fica mais forte se dizes não
Tens a palavra guardada na tua mão

Quantas vezes fomos sempre nós?
Quantos dias vão ter que esperar?
Se me ouves dá-me a tua voz
Porque és tu o meu lugar

Tu és o norte, eu sou o sul
Todo este céu, tão cheio de luz
Fica mais forte se dizes não
Tens a palavra guardada na tua mão
Sei de algumas mulheres que falam de mim
Outros tantos homens querem-me julgar
Dou-te os meus defeitos pra me descobrires
E até duvidas que eu queira mudar

Teus olhos brilhantes dão cabo de mim
Esse teu sorriso dá-me que pensar
Tu és tão bonita, foste feita assim
Vai ficando tarde, não há volta a dar

Tenho a casa vazia para te receber,
Vou pintá-la de branco quando tu chegares
Tomamos conta um do outro, passamos a existir
E quando duvidamos onde vamos parar?

Quem nos pode ajudar?
Chegue-se à frente, faça favor de dizer
Vemos o tempo passar
E ficamos à espera de todo este tempo para o perceber

Tenho mil armas apontadas a mim
Outros tantos dedos prontos a disparar
Hoje tive sorte, não conheci o fim
Amanhã não sei o que se irá passar

A tua insistência deu-me a conhecer
Que todos os dias são pra disfrutar
Vou ficando velho mas pareço ter
A idade que tu tens para me dar

Vou pedir a Deus que olhe por mim,
E todos os santos vão-me proteger
És um caso raro mas ainda assim,
Faço tudo para te merecer
Corpo a corpo, cara a cara,
Num banco de jardim
Nesta valsa quebro a asa
Um homem não morre assim

Passo a passo, boca a boca
Corpos que se pedem
Dão as mãos, vão para casa
É vontade que nos leva

Se a lua quiser juntar-se a nós
E as sombras das ruas estiverem sós
Se alguém passar e perguntar por mim
Conta-lhes o que eu vivi

Fomos tempo e esperança
Em tudo o que se quis
Somos pele nesta dança
Mais fortes do que raízes

Viajámos sem destino
Para um lugar qualquer
Cumprimos o prometido
Somos o que a vida quer

Se a lua quiser juntar-se a nós
E as sombras das ruas estiverem sós
Se alguém passar e perguntar por mim
Conta-lhes o que eu vivi

Se acaso for tarde, pode ser amanhã
Corpos cansados sobre um divã
Fazem promessas de amor para sempre
Matam a dor, libertam a mente

Vamos descobrir o mundo
Ter silêncios e prazer
Somos a soma de tudo
Somos o que acontecer
Lutei, condenado pelo que não quis
Censurado por estar feliz
E dizes que me queres bem

Não minto, estou de cara bem lavada
Quando falas quase nada
É forte o que trago em mim

Haja alguém que nos traga paz
Haja quem dê um pouco mais
Quem é quem, diga ao que vem

Haja alguém que me dê razão
Haja quem fale ao coração
Eu estou bem, diz-me minha Mãe

Perdi, deitei fora o que pareço
Arrisquei, paguei o preço
De tudo o que não fiz

Rompi, procurei a caminhada
Desta história mal contada
Mostra-me então, o fim

E ali estivémos juntos, deitados
No chão molhado, olhámos o céu…
Demos uma de “tête-à-tête” entrelaçados, só tu e eu
Nesse dia choveu, nesse dia choveu…
Nesse dia tudo aconteceu

Enquanto houver gente a falar do passado, vamos escutando
Dão-nos um pouco da fé que lhes sobra
Enfim, cá vamos andando,
Vais ficar bem, vais ficar bem…
Ao ver-te bem fico eu também

Tu estás longe e não vês, tenho estado à tua espera
Dá-me um pouco de quem és, traz-me um pouco do que eras
O que somos já não sei, haja alguém que ainda nos queira
Conta lá o que aí vem, é este o tempo que nos leva
Que tempo é este que nos quebra

Prefiro estar calado às vezes
Perco a vontade, não me apetece falar
Tenho coisas pra decidir
Tenho a vida para arrumar
Pode haver mais alguém, pode haver mais alguém…
E se houver, venha também

Hoje acordei, vindo do nada, sonhei que fui procurar-te
Andei por todo o lado, vi que não estavas
Não pude salvar-te

Esse dia chegou, esse dia chegou
Esse dia foi e já passou

Mesmo agora aqui cheguei
Já me estão a criticar
Fui sendo um fora-da-lei
Difícil de se gostar

Quem me viu não quis saber
Ninguém veio ajudar
Na janela bate o vento
Varre o rio até ao mar

Enquanto houver, esta vontade de me perder
Fico à distância de acontecer
Voltar a casa depois de nascer
Há sempre um perigo
Enquanto der, um pouco mais de seja o que for
Deixo que o tempo engane a dor, que trago dentro de mim
Faço parte de ti

Mesmo agora de lá vim
Não quero lá voltar
Quase tudo o que vejo
Fica pouco por contar

Vou começando a viagem
É o que resta de mim
Terminei esta contagem
Estou no princípio do fim
Não acredito em demagogia
Respiro o ar que me aquece
Vejo gente mal dormida
Com as mãos à frente

Os discursos habituais, são manta de retalhos
São mais os que se esquecem, de quem está do outro lado

Todos foram embora,
Que o sol não espera
Uns vieram de fora
Outros vão para a guerra

Gosto dos poetas, que escrevem o que pensam
Sonham acordados, disfarçadamente

Todos querem os abraços, que lhes foram roubados
Fazem falta as palavras que trazem recados

Todos foram embora,
Que o sol não espera
Uns vieram de fora
Outros vão para a guerra

Quando os rapazes são deixados à sorte
Carregam armas nas mãos
Marcham cansados, esfomeados e gastos
P’la força da condição

Mandem-nos já para casa
E não lhes digam que não
Rufam tambores, donos do seu regresso
Cantem a mesma canção
Levantados do chão, façam a confusão,
Precisamos de pão, com a razão
Fizeram-nos promessas, temos fome e pressa
É esta a situação, Indignação

Em quem acreditámos, fomos sempre enganados
Vivemos como escravos, digam não!
Somos uns lutadores, vestimos as mesmas cores
É esta a nossa união, civilização!

Eu fiz tudo para ser feliz, ainda agora aqui voltei
Já lhes dei tanto de mim, quem eu sou ainda sei
Bem-vindos a nossa casa, quem nos quer bem pode entrar
Somos o que sempre fomos, havemos de cá voltar

Tudo o que pensamos, pouco ou nada que temos
Vamos na direcção, contestação

Atingimos a meta
Demitidos da festa
Somos a opinião da frustração

Tanta gente eloquente, age de formas diferentes
Pelo sim pelo não, revolução!

Senhoras e senhores, habituados à dor
Gritemos alto então, levantados do chão
Ontem ele foi embora, pensou sempre ir mais além
Quis fazer a vida fora, e dar-se bem

Levou consigo as promessas, palavras de todos nós
Deixou saudades e laços, nos seus Avós

Ele vai ser o que for, ter que mudar de País
Talvez uma coisa ou outra, quer ser feliz

Quando voltar, virá diferente
Mas sempre soube o que quis
É rapaz novo
Pra toda a gente…. Está condenado a viver

Hoje é dia de festa
Pelo seu aniversário
Já está há muito anotado, no calendário
Recebeu os seus presentes, dei-lhe um relicário meu
Será que também se lembra, de quem lho deu?

Faz algum tempo, isto que eu sinto
É o que lhe devo dizer
Esteja pra breve, o seu regresso
Seja o que a vida quer

Mandou recado e diz que agora
Tão cedo não vai voltar
É que o bom filho à casa torna
E o amanhã está para durar

Conheces-me bem como a palma da tua mão
Conta-me aquilo que vês
Pareço distante por te dizer não
Mas sei dizer quem és

Prendes o tempo como se fosse teu
O que fazes de melhor
Vou-me mostrando dando-te o que é meu
Valemos bem a nossa cor

Quero ver o que tens para dizer

Tu sabes tanto de mim!

Enganas a sorte, afastas a multidão
Entregas o teu corpo ao vento
Falas de mais, assim é o coração
Não importa o teu lamento

Sei o que precisas, basta enquanto fores
E que mais me podes dar
De vez em quando, fico um pouco frágil
Mas tenho um mundo para dar

Quero ver o que tens para mostrar

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