Outra Vez
Quando adormeço e fica um vazio
Quando me tocas o corpo quieto e frio
Mesmo que o sintas, não dizes nada

Quando me abraças, tudo estremece
Quando me beijas, o escuro enlouquece
Tu não sentes ,nem sabes nada

Não dizes nada, se não estou
Ficas calada, se me vou
Tu não sabes nada de nada
Pouco te importa a quem me dou
Nunca lutaste por quem eu sou
Eu estava certo, e tu errada
Quando me aqueces fico nos teus braços
Quando me esqueces perco os teus passos
Nem tu sentes mesmo nada

Quando o teu suspirar rompe o silêncio
Quando te perdes por momentos
Tu não sabes mesmo nada Quando te toco plea última vez E o trem arranca depois das três A hora já estava marcada Não dizes nada, ficas calada Tu não sabes nada de nada
Andei toda a vida à dderiva, nunca amei
Estavas perdida e indecisa, quando te encontrei
Rasgo de raiva o silêncio, se te achei
Gito sem ressentimentos, mas se gostei…gostei

Até nunca mais, se tu quiseres
Por onde vais sem te perderes
Somos iguais, basta dizeres
Que sou um dos tais, sem me esqueceres
Até nunca mais…

Trocas as voltas do tempo
Recordas futuros ausentes
Apagas os rastos que deixei
Ficas farta, não me afasto
Se me enganei, nem sei

Até nunca mais, se tu quiseres
Por onde vais, sem te perderes
Somos iguais, basta dizeres
Que sou um dos tais, sem me esqueceres
Até nunca mais…

Estás no mais íntimo de mim
Parecia que te querias esconder
Foste até ao fim
Mas que importa? Ganhar ou perder?

Até nunca mais, se tu quiseres
Por onde vais, sem te perderes
Somos iguais, basta dizeres
Que sou um dos tais, sem me esqueceres
Até nunca mais…
Deixou cair uma lágrima sobre o seu ombro
Deixou-se dormir num sono profundo
Sem lhe tocar, disse adeus

Deixou a porta do quarto um pouco aberta
O frio que espreita logo a desperta
Sem avisar, tudo escureceu

A chuva lá for a que cai sobre mim
O vento que sopra fala-me de ti
Dizendo baixinho deixa cair
A chuva lá for a que cai sobre mim
O vento que sopra não se acaba em ti
Dizendo baixinho: deixa cair, deixa cair…

Deixou-me andar num extremo onde tudo tremia
Deixei-me levar por tudo o que sentia
Sem querer ficar, estremeci
Foi quando ouvi uma voz vinda do fundo
Vi esse olhar um tanto profundo
Que, sem esperar, desapareceu

Faz com que o céu nunca me perca
Faz que de um caso mais não me esqueça
Do cimo do mundo vou ao fundo
Dou a volta num segundo

Faz que no caminho nunca adormeça
Faz com que do alto eu também desça
No cimo das nuvens estás sentada
Onde tudo se transforma em nada

Uma carícia, uma loucura
Uma aventura, uma ternura

Faz com que do medo ganhe coragem
Faz com que bem cedo siga viagem
Cada vez mais longe indeciso
Parar e pensar, às vezes é preciso

Nem que os traços se apaguem
E as vagas esbarrem
Contra os rochedos
Nem que o corpo arrefeça
E a alma esqueça
Todos os segredos
Dá-me vontade de te ter a meu lado
Vendo-te a olhar p’ra mim
Sei que estou apaixonado, mas não posso ficar assim
Deitado num rochedo canto para ti
Como um pássaro livre que voa sem fim
Porque é que a vida nos trama, quando alguém se ama
Ter de partir e não poder sorrir

Porque é que choras, porque é que dizes o meu nome?
Sem nunca me poderes tocar

Tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar
Sozinho tocando uma guitarra junto ao mar
Recordo-me de ti, imagino porquê
A tua cara a flutuar

Porque é que a vida nos fascina
Tantas vezes nos domina
Acreditar que no amor
Não se sente a dor
Mas é mentira…mentira…mentira
O silêncio nas ruas
Faz parte de mim
Pessoas que passam
Eu nem as vi

Olho em redor
Se escuto alguém
Bancos de pedra
Estátuas também

Corri, corri para ti
Corri, não me perdi
Corri, corri para ti
Corri, não desisti

Faz-se escuro já cedo
Atravesso o jardim
Não tenhas medo
Confia em mim

Os sinos já dormem
Eu aprendi
Mais tarde que nunca
Do que sem ti
Se toda a gente falasse como falo de ti
Se toda a gente gostasse como gostei assim
Nunca irias pensar de outra maneira
Sempre foi uma brincadeira

Se todos os cometas brilhassem quando te estou a amar
A Terra essa bola de fogo iria rebentar
E as baías desapareciam
E os meus olhos nunca mais te viam

Foi bom conhecer-te
Poder dizer-te olá
Foi pena perder-te
Agora já não dá

Os momentos que vivi contigo
Os segredos que te contei ao ouvido
Foi bom
Estar sentido

Se todos os mares ondulassem quando corro para ti
Se todos os peixes cantassem quando estou aqui
As baías de novo apareciam
E os meus lábios para ti sorriam

Se me perco, se me encontro
Nunca me procurei
Se me deslumbro, se me mando
Nunca me encontrei

Se adormeço, se me esqueço
Eu nunca me sonhei
Se me dou, se mereço
Apenas me entreguei

Quem eu sou
Onde estou
Nunca soube onde vou
O que sou
Nunca quis
O que quero é ser feliz

Procuro a noite, perdida
Quando não estás, aqui
Procuro a noite, sentida
Quando não estás, perto de mim
Procuro a noite, a noite
Quando não estás

Se me culpo, se desculpo
Eu nunca soube estar
Se desminto, se te sinto
Nunca te vi voltar

Se murmuro, entre o escuro
Só soube divagar
Se me amarro, se me solto
Vontade de gritar
Chora com mais força, mesmo a exagerar
Finge ainda mais, só p’ra enganar
Acendeste uma vela, magoaste alguém
Inquietações da noite, cuidados de ninguém

Eu só queria que fosse um sonho
Onde não tinha que entrar
Não quero ver-te sempre a chorar

Saiu porta for a sem querer escutar
Quero ir embora e não regresar
Desço o vão da escada, foi sempre assim
Atravesso a estrada, um taxi espera por mim
Acordo de manhã, o telefone não tocou
Passam se horas e horas , nada disto terminou
O rádio está ligado, a música acabou
Ainda estou acordado, sofre quem esperou

Já me perdi contando as estrelas
Adormeci, meditando com elas

Já me guardei de todos os olhares
Já me escondi em todos os lugares

O corpo só dói
Quando se recua
Um brilho nos olhos
Que te vem da lua

Tão perto tão longe no meu vagar
Estou fraco, estou farto, porquê esperar?
Eu e o luar
No meu vaguear

Já me deixei de poder falar
Ja me fartei de te ouvir calar
Ainda não sei se sei perdoar
Já me cansei de te querer mudar

Tu reclamas por cada momento
Esta chama que arde em fogo lento
Ainda te vou ver deitada
Sozinha a falar
Posso até ver-te sentada
Despida, a chorar

Ainda te vou ver fugindo
Sorrindo a gozar
Posso ver-te lamentando
Gritando com o mar, quem foi

Eu sei, podes fingir
Mas não me podes julgar
A vida só tem um fim
E a noite fez-se p’ra amar

Ainda te vou ver sentada
Zangada no olhar
Podia ver-te triste
Por saber que tudo existe
Sem nos termos que magoar
Quem foi???
Podia ver-te no escuro
No meu ser vagabundo
Já sem nada para ocultar
Podias estar tão perto
A pagar o preço certo
Sem te deixares revoltar

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